Pausa
Uma apresentação
Este é um texto na primeira pessoa do plural.
Com dez anos de trajetória compartilhada, seria impossível ser diferente: a gente vai curtindo e sabendo cada vez menos ser EU, curtindo e sabendo cada vez mais sermos NÓS- sinal de que os nós que nos conectam estão bastante firmes. Até na dissonância existe mais harmonia (o que pode ser lido como sinal de maturidade, excelente eufemismo para envelhecimento).
Se você quer objetividade, este é o seu parágrafo: Pausa, o quarto disco da trajetória fonográfica do 5 a seco, lançado um dia após o término de nossa turnê comemorativa de dez anos.
Terminada a turnê, começa uma pausa por tempo indeterminado sem fazermos shows. Terminada a turnê, existe *Pausa*, nosso disco mais intimista: entre os nossos corações e o mundo, só o violão.
O violão: durante um bom tempo criou-se no inconsciente coletivo uma associação imediata do 5 a seco ao velho e bom pinho. Não era sem razão: somos todos cantautores que tem no violão a sua matriz.
Não por acaso, também, em nosso segundo e terceiro álbuns procuramos um afastamento deliberado do instrumento: tinha a ver com criar uma sonoridade de banda, com explorar timbres e texturas que surpreendessem a nós mesmos e, certamente, com fazer algo diferente do que se esperava de nós.
Agora não: o violão está no centro de todas as canções aqui registradas. Não há porque nos afastarmos dele, porque já não há necessidade de nos afastarmos de nós mesmos.
Acompanhamentos pontuais de outros instrumentos foram bem-vindos, mas seguindo uma regra: absolutamente todos os sons do disco são acústicos. Não há uma única nota de qualquer instrumento elétrico em qualquer uma das onze faixas.
É uma escolha sonora que fala deste instante: do momento individual de cada um de nós cinco e do nosso momento compartilhado como coletivo. Pra quem gosta do vôo livre das conjecturas, este é o momento glorioso: desde sempre a questão foi deixar as piruetas de lado e mirar nos corações.
Desde que o 5 a Seco existe, foram inúmeros os encontros entre nós para mostramos novas canções. Este disco é o mais perto que se pode chegar do registro de um desses encontros. A vontade é essa: botar uma cadeira a mais na sala pra que cada ouvinte possa se sentar entre a gente.
Em termos mercadológicos, qual seria o sentido de lançar um disco ao adentrar um período de recesso? O sentido é esse: não tem nada a ver com o mercado e sim com a celebração do encontro. Nunca foi sobre corresponder a algum tipo de expectativa e sempre foi sobre celebrar a alegria de estarmos juntos. Como agora.
Cada verso, cada nota de melodia, cada compasso de silêncio está no lugar escolhido e isso é bonito e raro. Eis aqui nossa celebração. Dez anos de estrada não nos deixam outra escolha que não seja acreditar no amor.
Amorosamente,
5 a seco (Leo Bianchini, Pedro Alterio, Pedro Viáfora, Tó Brandileone e Vinicius Calderoni)